Parece que a Televisão Pública de Moçambique resolveu protagonizar um daqueles enredos que nem os mais criativos roteiristas do Big Brother ousariam escrever.
Na semana passada, a TVM fez algo inédito: passou uma reportagem sobre o ANAMOLA. Sim, aquele partido que costuma ser tão invisível nos ecrãs da estação como um fantasma em pleno meio-dia. A cobertura foi considerada atípica, quase uma quebra de protocolo não escrito.
E eis que, como num passe de mágica (ou de poder), Élio Jonasse é exonerado do cargo de PCA da TVM.
Claro, podemos acreditar na versão oficial: “renovação de estruturas”, “ciclos naturais”, “interesse público”. Mas, cá entre nós, a cronologia é sugestiva o suficiente para alimentar boas teorias de café.
Hipótese sarcástica da semana: será que a reportagem foi o “despedimento em forma de notícia”? O que terá pesado mais: a audiência, a linha editorial ou… certas chamadas telefónicas?
Victor Filipe Nhatitima assume agora o leme. Resta saber se a “nova era” trará mais diversidade na cobertura partidária ou se foi apenas um ajuste de rotina — desses que, curiosamente, acontecem depois de se cobrir o “inconveniente”.
Enquanto isso, fica a lição: na TVM, passar certas reportagens pode ser como jogar xadrez com regras invisíveis. E o xeque-mate, às vezes, chega pelo teleprompter.
