Num veredito que abala o cenário político internacional, um tribunal do Bangladesh condenou esta segunda-feira a ex-primeira-ministra Sheikh Hasina à pena de morte. A sentença, proferida à revelia – uma vez que Hasina fugiu para a Índia em agosto de 2024 –, surge na sequência da violenta repressão dos protestos que levaram à sua deposição, onde perderam a vida, segundo as Nações Unidas, pelo menos 1.400 pessoas, na sua maioria civis.
O juiz Golam Mortuza Mozumder foi perentório ao declarar que "todos os elementos que constituem crimes contra a humanidade estão presentes", justificando assim a sentença máxima. Do outro lado do banco dos réus, mesmo ausente, Sheikh Hasina já reagiu, classificando o julgamento como "tendencioso e motivado por razões políticas". A ex-líder, que governou o país durante 15 anos, alega que as gravações usadas como prova foram "tiradas do contexto" e que um veredito de culpada "já estava predeterminado".
A condenação ocorre num momento de extrema tensão no Bangladesh, com eleições parlamentares marcadas para daqui a três meses. A polícia da capital, Daca, foi colocada em alerta máximo, um sinal claro do temor de que este veredito possa incendiar ainda mais os ânimos no país.
Este caso levanta questões profundas sobre justiça transicional, vingança política e a linha ténue que por vezes as separa. Será este o epílogo justo para as vítimas da repressão, ou o início de um novo ciclo de instabilidade?
Sheikh Hasina
💬Uma pergunta aos leitores
Esta condenação representa um marco de accountability para um líder acusado de crimes graves, ou é, como alega a defesa, uma manobra política para eliminar uma figura poderosa da oposição? A justiça consegue ser imparcial em contextos de tão alta tensão política?
