O presidente do partido ANAMOLA, Venâncio Mondlane, exortou os profissionais de saúde moçambicanos a suspenderem temporariamente a greve anunciada, apelando ao seu engajamento imediato no apoio às populações afectadas pelas cheias que assolam várias regiões do País. O apelo consta de um “Chamamento Nacional à Solidariedade e à Acção”, divulgado este sábado, 17 de Janeiro.
No documento, Venâncio Mondlane reconhece a legitimidade das reivindicações dos profissionais de saúde por melhores condições de trabalho, mas sublinha que o actual contexto humanitário exige um esforço extraordinário e sentido de responsabilidade colectiva. “Neste momento crítico, apelamos aos profissionais de saúde para que suspendam quaisquer anúncios de greve e se mobilizem voluntariamente para prestar assistência nos centros de acomodação e nas comunidades afectadas”, refere o texto.
O apelo surge numa altura em que a Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) anunciou uma greve de 30 dias, iniciada na última sexta-feira, em protesto contra a degradação das condições laborais no sector da saúde. A paralisação ocorre num cenário de crescente pressão sobre o sistema nacional de saúde, agravada pelas cheias, que já provocaram deslocações forçadas, perdas humanas e elevados danos materiais em várias províncias.
No mesmo chamamento, o líder do ANAMOLA apela à união de todos os moçambicanos, independentemente de filiações políticas, religiosas ou sociais, defendendo que o País vive “um momento de humanidade, não de indiferença”. O partido orienta as suas estruturas, a todos os níveis, a envolverem-se activamente em acções de apoio às vítimas, incluindo mobilização comunitária e assistência directa.
O documento dirige ainda apelos específicos a empresários e cidadãos com espaços disponíveis em zonas seguras para que os disponibilizem, de forma solidária, para o acolhimento de pessoas afectadas pelas cheias. A sociedade em geral é chamada a contribuir com bens de primeira necessidade, como alimentos, água potável, material de higiene, redes mosquiteiras e vestuário, a serem encaminhados para os centros de acomodação e entidades humanitárias.
Venâncio Mondlane anuncia, igualmente, que todas as sedes do partido ANAMOLA, em todo o território nacional, passam a funcionar como centros de acolhimento temporário para cidadãos em situação de vulnerabilidade que não disponham de local seguro para se instalar.
“O momento exige acção imediata, espírito patriótico e solidariedade efectiva”, conclui o documento, defendendo que só com união nacional será possível minimizar o sofrimento das populações afectadas e salvar vidas, num dos períodos mais difíceis que o País enfrenta nos últimos anos.
Fonte: Dossiers & Factos
