As cheias continuam a impor um cenário de tensão e isolamento em vários pontos da província de Sofala, apesar de sinais pontuais de alívio registados esta quarta-feira (14). O caso mais visível é a reposição da circulação rodoviária no troço Muxúnguè–Save, na Estrada Nacional Número Um (EN1), uma das artérias mais estratégicas do país.
A transitabilidade foi restabelecida na ponte sobre o rio Muar, no distrito de Machanga, depois de dias de interrupção causada por chuvas intensas e inundações que castigam o centro de Moçambique. A reabertura foi acompanhada no terreno pelo Secretário de Estado em Sofala, Manuel Rodrigues Alberto, que deixou um alerta claro: a estrada está funcional, mas ainda vulnerável.
Tráfego retomado, mas sob vigilância apertada
Segundo as autoridades, a circulação de viaturas decorre de forma condicionada, numa fase em que continuam os trabalhos de consolidação da infraestrutura. Equipas de fiscalização rodoviária mantêm-se no local para orientar os automobilistas e evitar excessos de velocidade, numa estrada fragilizada pela força das águas.
A EN1, frequentemente afectada em épocas chuvosas, volta assim a cumprir o seu papel de ligação entre o sul e o centro do país, mas fá-lo sob um ambiente de incerteza. Técnicos da Administração Nacional de Estradas (ANE) permanecem em prontidão, conscientes de que qualquer subida súbita do caudal pode inverter o cenário em poucas horas.
Distritos continuam isolados pelas enxurradas
Se no eixo Muxúnguè–Save há algum alívio, noutros pontos de Sofala a situação permanece crítica. Os distritos do Búzi e de Chemba continuam isolados, com acessos cortados devido às enxurradas que destruíram estradas secundárias e pontes de menor dimensão.
As autoridades provinciais admitem que o risco ainda não passou. Os rios da região continuam a receber grandes volumes de água provenientes do montante, o que aumenta a probabilidade de novos cortes rodoviários e dificulta a assistência às populações afectadas.
Pontes sob observação constante
Além do rio Muar, as atenções estão também voltadas para a ponte sobre o rio Gorongosa, recentemente interditada devido à subida do caudal. Embora a situação esteja sob controlo, a monitoria é permanente, numa corrida contra o tempo para evitar o colapso de infraestruturas vitais.
Este cenário volta a levantar questões antigas sobre a resiliência das estradas nacionais face às mudanças climáticas, num país onde as cheias deixaram de ser exceção para se tornarem regra.
Um problema recorrente que exige respostas estruturais
As cheias em Sofala não são apenas um fenómeno natural. São também o reflexo de fragilidades estruturais, planeamento insuficiente e investimentos que muitas vezes não resistem à primeira grande enxurrada. A cada época chuvosa, repete-se o mesmo ciclo: isolamento, prejuízos económicos e populações à espera de socorro.
Enquanto a chuva continuar a cair a montante, a província mantém-se em alerta máximo.
Até quando Moçambique vai continuar a contar os mesmos danos todos os anos, em vez de investir em soluções duradouras?
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Fonte: Beleza em pessoa
